Correios diz que durante greve 85% dos trabalhadores estão trabalhando na Paraíba

Os trabalhadores agravaram contra a decisão, mas aguardam decisão (
Levantamento realizado nesta segunda-feira (2) pelos Correios e Telégrafos dá conta que 85,4% dos empregados (1.280) estão trabalhando normalmente em todo o estado da Paraíba. Em decisão liminar, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) determinou que as federações sindicais assegurem um contingente mínimo de 80% dos trabalhadores em cada setor/unidade, sob pena de multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento. Mesmo assim, a greve continua, disse um dos diretores do sindicato na Paraíba, Emanuel de Souza. "Vamos realizar nossa assembleia agora, às 17h, mas o encaminhamento é de continuidade da greve , e aguardamos um posicionamento do TST no sentido de chamar os trabalhadores para uma audiência de conciliação. Entendemos que não estamos numa ditadura militar", disse Emanuel, um dos diretores do Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos da Paraíba (Sintect-PB).

Apesar da empresa alegar baixo índice de adesão à greve , tem havido falhas na operacionalização junto a unidades judiciárias. Questionada sobre o problema, a empresa Correios e Telégrafos afirmou que a área operacional da empresa irá tomar providências com a designação de um empregado para realizar a coleta de correspondências do Tribunal de Justiça da Paraíba e demais órgãos da justiça. "Evidentemente, tais esforços estão sob regime contingencial,  portanto, só haverá a completa regularização dos serviços quando todo os empregados em greve retornarem ao trabalho", diz a empresa. "Eles alegam que têm esse percentual todo, mas assim eles teriam todas as condições para montar um operativo e fazer essas coletas, não sei por que não fazem, pois tem um bom número de trabalhadores que não aderiram à greve ", disse o diretor do Sintect-PB.

A empresa não respondeu a questionamento do ClickPB sobre o quantitativo de correspondências represadas até agora na Paraíba, limitando-se a afirmar que tem colocado em prática o Plano de Continuidade de Negócios, com a realização de mutirões nos últimos dois finais de semana utilizando todo o efetivo que não aderiu à paralisação, além de medidas como deslocamento de empregados entre as unidades e realização de horas extras. Segundo os Correios, desde a última sexta-feira (29), mais de 1.200 empregados retornaram aos seus postos de trabalho em todo o país. "Com base na decisão do Tribunal Superior do Trabalho que na última quinta (28) determinou, em decisão liminar, que a greve iniciada no último dia 19 é abusiva, a empresa irá considerar as ausências como falta injustificada. Todas as medidas a serem adotadas serão tomadas de acordo com o previsto em legislação, dentre elas o desconto do dia  em sua remuneração", informou a empresa, em nota enviada ao Portal ClickPB. Os trabalhadores agravaram contra a decisão, mas aguardam decisão. "A empresa está se utilizando dessa liminar para descontar os dias dos trabalhadores em greve e ameaçar com a retirada de direitos, dizendo que é abandono de emprego, fazendo todo o terrorismo do mundo, mas não vai acabar com a greve dessa forma, a greve continua em todo o país, e esperamos bom senso da direção da empresa, do governo e do próprio TST, para retomar as negociações e apresentar uma proposta que possa por fim ao impasse da greve ", disse Emanuel. A proposta salarial apresentada pela empresa no último dia 22 à Findect  prevê  a manutenção do ACT 2016/2017, com reajuste de 3% nos salários e benefícios a partir do mês de janeiro de 2018. A reivindicação dos trabalhadores, todavia, é reposição de 8% retroativo a 1º de agosto, que é sua data base, e R$ 300 de aumento linear. Segundo o sindicato, existem ao todo 1.480 trabalhadores do setor na Paraíba.