Energia solar é realidade em assentamento de agricultores familiares da Paraíba

No município de Pedras de Fogo (PB) um assentamento de agricultores familiares que utiliza o sistema fotovoltáico na irrigação das lavouras. São pelo menos 28 famílias que aderiram ao sistema de energia solar financiado pelo Banco do Nordeste e sete agricultores que já se beneficiam diretamente com o uso das placas. E o melhor: a conta de energia, que antes girava em torno de R$ 110 em uma residência passou a custar R$ 60, com possibilidade de ser zerada, o que significa que mesmo aumentando a carga com a instalação da irrigação, a conta sofreu redução.

O exemplo citado é o do assentado e agricultor Josenildo Jorge da Silva, que preside a Associação dos Trabalhadores Rurais de Mata de Vara. No telhado de sua casa, o agricultor instalou duas placas solares. A expectativa dele é melhorar a produção e otimizar o consumo de energia. “Estou com o sistema implantado na minha casa e não tive nenhum problema”, destaca Josenildo.

Os projetos de investimento utilizaram recursos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (na modalidade Pronaf-A) e foram elaborados pela Cooperativa da Agricultura e Serviços Técnicos do Litoral Sul Paraibano (Coasp), empresa de Técnica, Social e Ambiental à Reforma Agrária (Ates) credenciada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A taxa de juros do Pronaf A para investimento é 0,5% ao ano e bônus de adimplência de 40% em cada prestação. 

Na sede da Associação dos Trabalhadores, a macaxeira e o abacaxi produzidos abastecem o caminhão da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), mediante o contrato com Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). A produção é levada para os pontos de distribuição em Centrais de Abastecimentos, como a do Cristo, em João Pessoa . A região prospera com as plantações e lá se encontra de tudo: milho, feijão, macaxeira, outros tubérculos e frutas. Por ano, são produzidas quase 700 toneladas de alimentos e a qualidade dos produtos foi o que chamou a atenção da Conab. Os agricultores, por meio da Associação, deixaram de vender a produção a atravessadores para repassar à Companhia.

Outro agricultor que aderiu ao sistema de energia fotovoltáica foi o Pedro Manoel da Silva, que foi além e adquiriu também uma máquina motorizada para arar a terra, conhecida como "tratorico". “De todas as propostas que chegaram a esta região, considero que esta foi a melhor”, afirma o agricultor, referindo-se à energia solar. Segundo a gerente de negócios do Banco do Nordeste, Maria Izabel Dantas Morais, que presta assistência ao assentamento, as transformações que a área sofreu com a inserção da agricultura familiar e do crédito orientado são consideráveis. “Quando estive aqui pela primeira vez, há cinco anos, as condições dos agricultores eram muito mais difíceis e hoje eles têm uma excelente produção, que pode ser melhorada com o sistema de irrigação por energia solar, com otimização dos recursos, seja a água ou a própria energia elétrica”, explica.

O assentamento Mata de Vara é um território de 523 hectares habitado por 106 famílias oriundas da Reforma Agrária. O uso de sistemas de energia solar ainda não foi absorvido pela maioria dos agricultores, algo que para o produtor Josenildo é uma questão de tempo e de conhecimento sobre o funcionamento do sistema fotovoltáico e sobre o financiamento. “Muitos ainda têm resistência ao uso das placas e até um pouco de desconfiança, mas aos poucos eles vão percebendo que há benefícios para o agricultor”, afirmou o presidente da Associação, que agendou até o final do mês uma reunião com o Banco do Nordeste e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), para que os agricultores possam tirar dúvidas sobre a implantação das placas solares.