No Rádio Verdade, novo procurador-chefe do MPF defende delação

O novo procurador-chefe do Ministério Público Federal na Paraíba, Marcos Alexandre Bezerra de Queiroga, nesta quarta-feira (04), avaliou a importância das delações premiadas como instrumento de investigação para a Operação Lava Jato, que combate a corrupção no Brasil.


"Se não fosse isso, não haveria a Lava Jato. É o instituto da colaboração premiada é uma ferramenta imprescindível e é a partir disso é possível ter conhecimento de fatos que nunca viriam à tona e desmantelar esquemas, chegando a quem comanda as organizações criminosas", disse.

Em entrevista concedida ao programa Rádio Verdade, da Arapuan FM, Queiroga revelou que já participou de casos que foram solucionados com as delações. De acordo com ele, esse tipo de mecanismo deve ser usado como um ponto de partida para as investigações.

"Não pode ser usada como se fosse um fato, mas pode servir para mostrar provas ou indicar onde elas estão. Muitas vezes uma delação pode ser mais precisa do que uma testemunha", declarou. 

O procurador também explicou o motivo da operação em curso na Justiça Federal de Curitiba rejeitou as delações do ex-deputado Eduardo Cunha, revelando os critérios dos alvos de delação. 

"Porque as delações buscam informações para investigar os chefes das organizações criminosas", disse Queiroga, sugerindo que Cunha é reconhecido pelos integrantes da Lava Jato como mentor da quadrilha que atacou os cofres da Petrobras.

O novo procurador-chefe evitou ao longo da entrevista comentar sobre os processos em curso no MPF da Paraíba, justificando que não poderia emitir juízo de valor sobre as investigações.

Empossado na última segunda-feira em Brasília, o novo procurador antecipou suas expectativas em relação ao comando da nova procuradora--geral da República, Raquel Dodge. 

"Ela tem todo o respeito dos membros do Ministério Público, é série e deve fazer uma grande gestão", aposta Queiroga.